Aos fatos: o "discurso" de realidade. A publicidade há muito se apropriou de uma estética supostamente documental, baseada na ‘realidade’ ou na legitimidade oferecida por fatos reais – como em testemunhos colhidos com câmeras trêmulas, criando sintaxes de uma ‘precariedade que se pretende verdade’. Trata-se de uma estética conhecida, tomada por empréstimo dos programas policiais, das reportagens onde a equipe sempre enfrenta situações de risco ou tensão. O fato é que essa mesma estética se encontra hoje presente em anúncios de sabão em pó, produtos eletrodomésticos e numa infinidade de produtos que nada têm em comum com processos documentais caracterizados pela urgência ou pela precariedade.
São formas de representação que, de certa forma, evidenciam esta suposta procura pelo que seria a “realidade mais autêntica”. Como se tal abordagem da realidade (em alguns casos apenas a pele, a realidade mais aparente, o verniz) pudesse levar-nos a tocar uma suposta ‘verdade’, que anseia pelo real.
Esse é um pequeno trecho de um texto chamado "Síndrome de Realidade", escrito por Lucas Bambozzi, que explica de forma rápida, porém, agrega muito valor aos meus últimos dois posts.
Fonte: www.interfacescriticas.net - Síndrome de Realidade - versão apresentada em palestra durante o Festival É Tudo Verdade, em março de 2006 - Lucas Bambozzi
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